
Por Wolf Júnior | Segunda-feira, Junho 02, 2008 |

Por Wolf Júnior | Segunda-feira, Maio 05, 2008 |
“Weiter, weiter ins Verderben
Wir müssen Leben bis wir sterben
Der Mensch gehört nicht in die Luft
So der Herr im Himmel ruft
Seine Söhne auf dem Wind
Bringt mir dieses Menschenkind”
Till Lindemann
Além...
além nas ruínas
Nosso dever é viver até morrer
O homem não pertence ao ar
E o Senhor no céu invocou
Seus filhos do vento:
Tragam-me esses pequenos mortais
Por Wolf Júnior | Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008 |
Olhos fecham-se... Cansados entregam-se ao sono...
Mórbidos.
Escuros portais...
A chuva embala entediante as pedras de cachoeira,
as flechas certeiras, os ventos e as campinas...
Todos os caminhos.
Textura nebulosa de gritos e gemidos,
de tons negros______e rubros incontidos
Capas e vestidos...
Olhos fecham-se...
E abrem-se do outro lado, solto e carregado.
No pito,
na piteira,
no cigarro,
na cachaça,
na cidra e no marafo.
Na moça que gargalha e no compadre que a embala,
nas ponteiras e batucadas
nos cruzeiros
cemitérios e encruzilhadas...
Umbanda
Mandinga
Quimbanda
Demanda
Menga
Nego
Toco que se arranca
Saia que levanta
Fumaça... álcool e perfume
sangue e farofa...
Faca de dois gumes.
Por Wolf Júnior | Sábado, Fevereiro 02, 2008 |
Carne em estrada de pedras
Como Toques
em caminhos de mármore
como gotas
de céu azul na tempestade...
Estilhaços entre pétalas de flores
Carícias em mares de dores
Mortes e vidas, esperanças e temores
E a mão que pede entre as pedras
É a mesma que esmaga entre flores...
Mãe de todas as mortes...
Mãe de todos amores...
Por Wolf Júnior | Domingo, Março 11, 2007 |

Por Wolf Júnior | Sábado, Dezembro 16, 2006 |

Por Wolf Júnior | Segunda-feira, Novembro 27, 2006 |
Aos espectros pela noite, as ruínas das catedrais nas vastidões de minha alma... A eles a alvenaria em destroços e o pó do tempo e do abandono... meus templos destruídos e vagos... mórbidos.
Aos fantasmas pelo véu noturno, o invólucro vazio e destruído das crenças mortas... nenhum corpo ou cadáver sepultado... apenas formas... rochas e pedras destroçadas.
Alguma gota de sangue seco sorvido pela poeira sedenta... algum suor tornado em sal... e toda a amplidão do nada poetizado.
Aos espectros um recado tardio, um chamado vazio, um vendaval no deserto, um cálice quebrado pela queda de um corpo cansado.
Aos fantasmas um livro selado, um abrigo abandonado numa terra morta, carbonizada... um eco perdido em um abismo fechado.
Uma bolsa vazia apodrecida e rasgada, uma estrada desviada, um espelho opaco partido e espalhado em cacos.
Aos espectros o poder do derrotado e a existência extinta... o conteúdo do odre furado...e a pena sem tinta.
Por Wolf Júnior | Segunda-feira, Outubro 02, 2006 |
Pássaro negro viajante
De negros céus
E horizontes perdidos...
Sobre mares revoltos
De vagas espumantes
Planando
Negro pássaro viajante...
Onde está a dor seca
De tuas asas negras
Entre céus e mares agonizantes?
Onde está a sombra oca
De teu peito vazio
Negro pássaro viajante?...
És o albatroz negro
Da dor que chora
Quando o sangue aflora
Abundante...
És a insônia
dentro da própria morte,
a lâmina beijando o corte,
Negro pássaro viajante
Por Wolf Júnior | Quarta-feira, Setembro 27, 2006 |
Forma...
Informa
________Deforma...
De fora pra dentro
Nada se forma
Não se faz norma
De dentro pra fora
Forma
Reforma
_________Transforma
Por Wolf Júnior | Quarta-feira, Agosto 30, 2006 |

Por Wolf Júnior | Domingo, Julho 23, 2006 |

Emerge das profundezas esta dor que envolve tudo...
E como o grasnar de um corvo rasga a alma em duas partes
que se tocam e se perdem nas entranhas de si mesmo.
Dói... como dói...
Para quem provou do ar fresco, o mau cheiro é insuportável...
Dói a ausência do pedaço de mim que anda longe...
Dói a existência do pedaço de mim que está em mim...
Dói respirar...
Dói sonhar...
Dói viver...
Dói amar...
E esta dor que vem traz a morte em si...
Traz a vontade de morrer agora para estar em ti...
No entanto, é por que dói que sei que vivo...
E é doendo que vou renascendo em gotas,
as vezes em poças, e sempre em Rio...
Por Wolf Júnior | Domingo, Julho 09, 2006 |

Por Wolf Júnior | Quinta-feira, Junho 29, 2006 |
Mesa do bar...
Entre um gole e um trago eu me vejo em círculos...
Giro em torno do mesmo ponto - o enígma do ego.
E sóbrio percebo que vivo letárgigo como o bêbado que atravessa a rua...
em flashs e frases perdidas.
Na pena amiga é onde realmente embriago-me.
É onde não exerço o controle de mim e dispenso a razão em prol do instinto que grita dentro do peito.
Nesta mesa estou de frente a mim mesmo...
E olhando-nos nos olhos, buscamos, eu e eu,
percebermos quem realmente é este eu.
De cá, desconfio dele. De lá, ele duvida de mim.
E desconfiados permanecemos na cumplicidade
que divide a mesma cerveja e o mesmo maço de cigarros...
Até o último gole... até o último trago.
Por Wolf Júnior | Sábado, Maio 27, 2006 |
Pela noite
pele e açoite
densos
ventos
nas chamas
que amas...
Das estrelas
às capelas
seculares
de teus olhares
infinidades
de tempestades...
e sorvo fogo das ondas
que precipitam do céu
no mar incendiado...
Sou um texto
renascendo
e morrendo
afogado.
Por Wolf Júnior | Domingo, Maio 21, 2006 |
Fui o covarde que não se libertava..
Quando na verdade, segurei as correntes que precisei segurar, para que muito mais que apenas eu, não se perdesse de vez nas tempestades e mergulhos sem volta...
Fui o covarde que se negou a liberdade...
Mas em verdade minhas correntes foram pesos que ensinaram-me a perceber-me muito além da simples forma que enfrento no reflexo do espelho.
Fui o covarde que se negou a lutar...
Quando na verdade não conheci ninguém, desde então, que tivesse maior força ou maior vontade, de manter-se de pé como o sentinela que guarda a posição...
A covardia que diante de outros olhos toma forma
é sim força que estes olhos não poderiam entender...
Uma mão só ergue a espada empunhada pelo coração...
O mesmo que aprendeu a ler todos os sinais na imensidão dos olhos que queimavam como as fogueiras de Samhain... E que jamais empunharia a espada que foi levada pelo falcão, enquanto tudo à sua volta fosse apenas vento, solidão e o grito mudo de meus olhos, jamais compreendidos por ninguém.
Quantas vezes decifrei os olhos que espelhavam a alma
na esperança que os meus também pudessem ser ouvidos...
Mas eu só recebi o silêncio... que tomou forma em meu abismo...
Na penumbra de minha noite eterna, surge ao longe o falcão,
retornando das profundezas de meu inferno gelado,
trazendo a lâmina que reneguei, a beira mar, a meu coração
indecifrado pela cegueira de todos os olhos que fundaram meu passado.
Já não sou apenas um oráculo...
de meus olhos nunca verteu o vazio
que tornou impossível decifrá-los...
Baixo o olhar em direção á água do Rio...
Decifra-me com a urgência do sonho em meio à noite que me faz insone...
Agora em pleno vôo, o falcão há de chegar
enquanto declamo num sussuro o poeta:
"Ich warte auf dich... am Ende der Nacht"
Por Wolf Júnior | Terça-feira, Maio 16, 2006 |
Sei que te envolves em cinzas
que permeiam este espaço de tempo
em que lambes as feridas
e buscas transpô-las
em mais uma de tuas cicatrizes...
Quem nunca desiste da luta
tem sempre estas marcas
gravadas na alma
que jamais se entrega...
Sei que nestas cinzas te deitas
sem contudo trazeres no peito
o peso que têm aqueles
que se ferem sozinhos...
Tuas marcas são insígnias
de quem busca e escolhe o caminho.
Nestas cinzas hoje te vejo
quando transponho
abismos de tempo e distância
como no tempo em que tua cabeça
em meu colo de menino era o foco
deste olhar que sempre quis te salvar
de si mesma e de tua própria força...
Na verdade nunca pude salvar-te
e na verdade nunca conseguiste salvar-me...
Perdemo-nos em caminhos e trilhas diversas
sem porém jamais deixarmos dispersas
nossas essências confidentes.
Mas se as minhas lágrimas
muitas vezes choraste comigo
de minha parte
as tuas, incontáveis vezes,
verteram de meus próprios olhos...
Conheço de ti o que jamais conhecerás por inteiro
Já não é tão fácil... mas quando sofres
e te recolhes em teu ninho de cinzas
cuja poeira viaja no vento
vindo buscar meu pensamento
outra vez te acolho a cabeça...
Nunca estiveste ou estarás sozinha.
Ouças o som da noite sob a luz da lua
que saberás de meus passos na rua
ignorando tempo e espaço
meio sério e meio palhaço
para secar-te os olhos úmidos
e arrancar-te um sorriso furtivo...
Aconchega-te outra vez a cabeça
que meu colo já se veste de cinzas
para melhor conseguir receber-te...
E deixa um segundo o tempo morrer
para que do pó do tormento queimado
eu seja quem mais uma vez pode ver
o renascimento de tua Fenix...
Refeita... forte... e linda.
Jamais estiveste ou estarás sozinha.
Por Wolf Júnior | Quinta-feira, Maio 11, 2006 |
Em meio aos cacos e à poeira
de pétalas e gotas vermelhas
caminha a estrada por si só
alheia ao oceano de nós
que transforma o chão em teia
e o suor em grãos de areia...
Vai pelo rosto a construção do tempo
de montanhas e vales e ventos...
E pelas pétalas pingam
essas gotas salgadas
e rubras nas asas brancas
de cada ponteiro
dos braços de Cronos...
Zeus não intervém...
E Odinn acaricia o tempo
nas asas negras do Corvo
de Morrighan...
A guerra e o toque...
O desejo e a morte...
Por Wolf Júnior | Segunda-feira, Maio 08, 2006 |
À medida que segue a madrugada pelos giros do ponteiros, a quietude vai preenchendo o espaço que a balbúrdia do dia ocupava até então... esta quietude transforma a disposição da mente... aproxima nexo e reflexo... solta o pensamento de dentro da gaiola e deixa-o sair pelo vento frio até as margens de um Rio. E de onde fico, quando finalmente estou letárgico e envolvido pela capa fria da noite, permito ao corpo soltar as trancas, as travas, os nós e, com os olhos que, cansados, pouco a pouco, deixam cair as cortinas que escondem o palco, eu me esqueço da peça e descerro a máscara diante de mim mesmo. Por alguns momentos o corpo relaxa e sente-se envolvido no abraço da Noite Negra, filha do Caos e criadora do Cosmos. Por alguns momentos eu me permito baixar as portas de meu selvagem castelo e adormecer por poucos instantes, que têm sabor eterno.
São nestas gotas que me refaço para quando o sol novamente sair e expulsar esta capa que me abriga. Momentos de repouso para o corpo e de viagem para o pensamento. Já são mais que novos hábitos de um espírito cansado e excêntrico... são pequenos rituais noturnos de renascimento... para meus tijolos cansados e meus molhados pensamentos.
Por Wolf Júnior | Sábado, Abril 22, 2006 |
Nunca fui ouvido pelo que meus olhos diziam...
E de minha boca entreguei todas as energias.
Captou-se meus reflexos íntimos que se escondiam...
Mas não sentiu-se no sorriso a minha agonia.
Eram forças que me moldavam e perseguiam...
A certeza de nunca poder-se ouvir minha real melodia.
E no martelo de cronos as vidas fluiam...
Como o Rio que me levaria algum dia.
Os gritos mudos dos olhos nunca se ouviam...
e todos os deuses se refletiram nesta cosmogonia
E nunca Eros na neblina percebiam...
Pois suas manobras que sempre se introduziam
com apenas uma das asas este deus as fazia.
Por Wolf Júnior | Terça-feira, Abril 18, 2006 |
Hoje...
Parei diante de mim
E questionei o real sentido da vida...
Não vi nos meus olhos
No avançar da noite
Nada além do atabaque
Do meu corração.
Hoje eu fui questionado...
E pela primeira vez fui
Ao menos pretendido
Ao ato de poder falar...
Mas eu não falei...
Eu nem precisei...
Eu me calei...
E chorei...
Minhas lágrimas falaram por mim...
Minhas costas arqueadas
Não passaram despercebidas
Assim como a angústia
De Ter provado
E querer finalmente sentir sabor de vida...
Hoje...
Eu deixei meu oceano cantar
De forma muda pela marcas
Do meu rosto cansado...
E pude enfim doer para poder
Em alguma lua por vir
Não ficar eternamente calado...
Hoje eu encarei de frente
Como um desesperado demente
O vazio que me preenche...
Hoje...
Enquanto a noite se vai
Eu já posso deitar
E sonhar
Enquanto ao fundo
Ignorando o peso do mundo
Meu espírito marcado
Repousa um segundo
Seu total desvario
Nas águas sonoras de um Rio
Que me acalma as dores
Me permite sabores
E enfrenta, enfim,
O meu vazio...
Por Wolf Júnior | Sábado, Abril 15, 2006 |
A beira mar ela então perguntou
brilhando molhado nas pálpebras
o porque de sentir
quem nunca sentiu
aquela primeira lâmina de dor...
Não podia, não queria, não conseguia
entender o porque de sentir
naquele dia
o que eu já sentia
desde que o dia nasceu dia
e a noite uma capa sombria...
Quando olhou nos meus olhos,
outra vez disse não crer
não saber, não entender
o porque
de eu conseguir ainda me erguer
a cada nascer do sol
trazendo no peito todo o arco
da pequena fração que
pela primeira vez a consumia...
Pela ponta da chama ela provou do que me ardia
Na cicatriz interna e vazia
pela primeira vez
ela entendia
Este abismo em meu peito guardado
Esta angústia de um grito calado
Esta dor
este espelho quebrado
Por Wolf Júnior | Segunda-feira, Abril 03, 2006 |
Por trás da máscara há um campo de batalha
onde morro um pouco a cada soar das trombetas.
E atrelado a todo cumprimento indiferente
uma multidão de sobreviventes
acorrentados
a uma horda de fantasmas...
Os vivos são como mortos
Os fantasmas mantêm-se vivos
E eu...
A muralha que te poupa os olhos
da visão medonha de uma necrópole
onde as vezes
brilha o mesmo sol
Por Wolf Júnior | Sábado, Março 25, 2006 |
Por sob a capa da noite escorrem pequenos lapsos de luz...
astros que caem agonizando sobre a grama em que piso...
pontas e lâminas incandescentes... estrelas cadentes
por sob a capa que visto caem pequenos pedaços azuis
rastros que escorrem marcando a pele que visto
gotas e lâminas incandescentes... esferas decadentes
e todas as sombras da minha noite...
e todas as luzes do meu dia.
E o sopro do meu hálito na madrugada gelada
esculpindo corpos que se abraçam... e se tocam.
de longe...
de longe...
ao longe...
Sou apenas uma sombra esta noite...
A mesma que teus olhos não percebem
desmanchar-se na neblina...
Por Wolf Júnior | Domingo, Março 19, 2006 |
Há na letra que copula uma marca molhada... uma expressão sutil que acompanha a textura do verso que nasce - imagens esculpidas em gotas abraçadas.
Neste contexto a palavra é cheiro, é gosto, é abraço que escorre suado... sorvido.
Traz na essência a embriaguês do desejo , da forma - a fome voraz do gozo que semeia.
Toma o poema para leitura como quem aprecia a criança proscrita que nasceu do pecado - sabendo de todos os cheiros, texturas e sabores que a formaram - leia com a alma amoral da fera selvagem desprovida de máscara.
Embala nos olhos a poesia, filha da palavra que procria e que escorre pela pele - como o suor do que faz amor, a lágrima do que chora e o sangue do que morre.
Por Wolf Júnior | Quarta-feira, Março 08, 2006 |
Há de buscar nas entranhas do fato
a alma de cada signo, letra, símbolo...
Há de transformar o que te move
no reverso trancado do verso
E movimentar a semente
que aos poucos morre
pelas carnes da terra que te forma
Há de tornar o que te pesa
no que te descreve
O que te mata
no que te liberta
Há de tornar cada lágrima de fel
num cálice único de rum
e cada sorriso de mel
num raio de sol incomum
Há de criar do nada
Há de formar do lodo
Há de sorver da noite
Há de transformar cada sentido
Há de buscar onde nunca encontrou paz....
Nos labirintos escuros de seu choro escondido
ou no infinito sorriso que nasce incontido
Há de buscar nas entranhas...
A tua sombra, a tua forma, a tua luz
A tua poesia...
Única
e perfeita.
Por Wolf Júnior | Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006 |
No início era a lama...
Pó e água tornavam-se carne.
E a pele dobrou-se em formas, esculpiu máscaras, inventou sentidos... comandou revoltas.
Fez-se do sopro a guerra, do vento a vida.
Respira... inspira.
E encheu-se como um pote de barro...
Fervilhou como lava aprisionada...
Transbordou algum sonho sem aviso.
Então a forma se houve... e perdeu-se.
Da pele cresceram cercas... das cercas couros, armaduras, cascos.
Fez-se um muro frígido... pedra
Fez-se um grito mudo... suspiro
E uma lágrima seca comandando exércitos, ditando mortes, abrindo brechas...
Logo de uma pequena brecha verteu sangue...
E já não era o vermelho do tijolo o pó da terra... surgiu meu grito, meu abismo.
E tudo foi tragado no escuro... sorvido.
Ergueram-se muralhas negras e úmidas...
Fecharam-se os olhos vermelhos de Marte.
Em algum momento brilhou uma estrela diante da lua com uma rosa amassada nas mãos... um olhar incandescente entre raios e trovões.
O abismo viu tudo e sonhou ser céu.
Das pedras úmidas veio o lodo, a gosma, a linfa... e foi preciso erguer um império na escuridão para dominar a vida. E abriu-se o buraco entre a alma e a carne, onde os exércitos enfrentam-se, matam-se, renascem e recomeçam num inferno sem fim.
A muralha pode ser vista do alto da montanha e admirada como exemplo de força... mas a pedra desta pele esconde-se para sangrar sozinha.
E quando cai esta tempestade salgada de gotas pesadas, por trás dos muros, o abismo uiva no vento frio estendendo os braços, desesperado para tocar o céu por um segundo...
Por Wolf Júnior | Sábado, Janeiro 28, 2006 |
Cai a gota clara
como água e sangue
acasalados
Cai o céu cinzento
como fogo e gelo
abraçados
Lava
Leva
Molha
Castiga
Esfria e aquece
E
nunca esquece
Toca
Como lâmina cega a pele
morna que se esconde sob o manto
Esculpe
Cria formas de vento e frio
nublando meus olhos com seu pranto...
Quando cai canta...
Ruge e grita no poder que fecunda
e na força que destrói...
Tempesta... Madonna mia...
Envolve-me em tua pele fria
que lava
Leva
Molha
Castiga
Esfria e aquece
E
nunca esquece
Por Wolf Júnior | Domingo, Janeiro 08, 2006 |

Por Wolf Júnior | Sábado, Janeiro 07, 2006 |
Caminha em direção à luz...
Talvez por trás dela
você encontre
a minha boca.
O covil de onde brotam
serpentes e águias
flores e espinhos
traços e compassos
risos e lágrimas
Caminha em direção à luz...
Pois somente a luz
revela minha sombra
sempre à espreita.
E talvez você
possa me reconhecer...
Caminha em direção à luz...
Talvez por trás dela
você encontre
a minha boca.
E decida
entre o sorriso e o beijo,
a palavra e a morte.
Por Wolf Júnior | Sexta-feira, Dezembro 30, 2005 |